Câncer de próstata: preconceito com relação a exames contribui para incidência da doença

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), somente este ano é estimado o surgimento de 60.189 casos de câncer de próstata. Aqui no Vale do São Francisco, no ano passado, o Centro de Oncologia da APAMI (Associação Petrolinense de Amparo à Maternidade e à Infância) atendeu 145 novos pacientes com a doença e atualmente a unidade de saúde tem cerca de 500 pacientes em acompanhamento contínuo.
Caracterizado como a mutação de células da próstata, órgão do aparelho reprodutor masculino, este tipo de câncer é o segundo mais comum entre homens no Brasil e, no mundo, é o sexto tipo mais comum no gênero. Pode ser descoberto por exames clínicos e exame de sangue como o PSA. Mas o que chama a atenção dos profissionais de saúde é que a incidência da patologia pode ter alguma correlação com a falta de conscientização dos homens com relação aos exames preventivos.

“O homem cuida menos da saúde do que as mulheres, e isso é um fato. Deveria haver uma educação melhor destinada aos homens para que eles se preocupassem em se submeter a exames médicos periódicos como um todo. No Brasil temos um maior número de casos avançados porque são diagnosticados tardiamente”, enfatiza o oncologista do Centro de Oncologia da APAMI, Danilo Silva. O médico complementa ainda que o preconceito tem sido um dos fatores que contribuem para que a maioria dos homens não busquem um especialista para fazer a avaliação. “Uma grande parte do exame consiste no toque retal e há homens que têm preconceito sim. É bom lembrar que é um exame simples, rápido e seguro”.

Dentre os sintomas que podem caracterizar o câncer de próstata estão dificuldade de manter um jato continuo de urina, ato de urinar doloroso, sangue na urina, ejaculação dolorosa e dificuldade para atingir uma ereção. A indicação é de que homens a partir dos 45 anos se submetam ao toque retal e PSA. “Não podemos falar em casos de cura, uma vez detectado o câncer de próstata, sem conhecer o histórico de cada paciente. Cada um apresenta uma condição, cada um está em um estágio da doença. O que a gente pode dizer é que o diagnóstico precoce permite maiores chances de tratamento”, explica o oncologista.

Danilo Silva alerta para práticas que podem evitar o surgimento da doença. “Exercícios físicos regulares e o consumo de uma dieta balanceada rica em fibras e vegetais têm sido associados a um risco menor de desenvolvimento da patologia”.